terça-feira, 4 de agosto de 2009

A carta que não foi mandada


Paris, outono de 73:

Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm
lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor

Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais....

(Vínicius de Moraes)

1 comentários:

Léia disse...

Adoro cartas, sério!
Na literatura existem alguns escritores que já adotam esse tipo de narração, não sei ao certo se essa definição se enquandra aí, acho super bacana, Martha Medeiros já escreveu dois livros assim nesse estilo: "Cartas extraviadas e outros poemas" e "Tudo que eu queria te dizer".

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